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Gás refrigerante R600a vs R134a: eficiência e impacto ambiental

O que são gases refrigerantes e por que eles importam

O ciclo de refrigeração de uma geladeira funciona pela mudança de estado de um fluido refrigerante, que absorve calor ao evaporar dentro do compartimento e libera esse calor ao condensar do lado de fora. O tipo de gás usado nesse ciclo determina a eficiência do sistema, o consumo de energia e o impacto ambiental do aparelho ao longo de sua vida útil. R134a e R600a são os dois refrigerantes mais comuns nas geladeiras domésticas vendidas no Brasil atualmente.

O R134a é um HFC (hidrofluorcarbono) que substituiu os refrigerantes CFC nas décadas de 1990 e 2000 por não destruir a camada de ozônio. Porém, ele tem um Potencial de Aquecimento Global (GWP) de 1.430, o que significa que cada quilo de R134a liberado na atmosfera tem o equivalente a 1.430 quilos de CO2 em termos de efeito estufa. O R600a, por sua vez, é o isobutano, um hidrocarboneto natural com GWP de apenas 3, tornando-o praticamente neutro do ponto de vista do aquecimento global e com zero potencial de destruição do ozônio.

Diferença de eficiência energética entre os dois gases

Em termos termodinâmicos, o R600a tem propriedades que permitem ao compressor trabalhar com menos esforço para mover o fluido pelo ciclo de refrigeração. Estudos de eficiência mostram que geladeiras com R600a apresentam eficiência de exergia entre 8,1% e 8,6%, enquanto as com R134a ficam em torno de 5,3% nas mesmas condições de teste. Na prática, isso se traduz em um consumo de energia menor por grau Celsius mantido, o que contribui para classificações energéticas mais altas.

Outra vantagem técnica do R600a é que ele exige uma carga de refrigerante significativamente menor para operar. Um sistema com R134a pode precisar de 100 a 130 gramas de gás, enquanto o mesmo sistema com R600a opera com 50 a 80 gramas, porque o gás tem maior capacidade de refrigeração por unidade de massa. Essa quantidade menor de gás no circuito também reduz o risco em caso de vazamento e é um dos fatores que permite que as geladeiras com R600a obtenham melhores notas no Programa Brasileiro de Etiquetagem (PBE) do Inmetro.

A questão da inflamabilidade do R600a

O isobutano (R600a) é um gás inflamável, e esse é o principal ponto de atenção na adoção em larga escala. No entanto, a quantidade de gás usada nas geladeiras domésticas, entre 50 e 80 gramas, é considerada segura pelas normas internacionais IEC 60335-2-24 e pela norma brasileira ABNT NBR correspondente. Em condições normais de uso, o risco de ignição é negligenciável. O risco real existe em situações de vazamento em ambientes fechados sem ventilação, como compartimentos herméticos muito pequenos, mas os fabricantes projetam os sistemas de forma que a concentração de gás nunca atinja o limite de inflamabilidade no ambiente da cozinha em caso de vazamento.

Marcas como Brastemp, Electrolux, Samsung e Panasonic já migraram boa parte de suas linhas para o R600a no mercado brasileiro. Geladeiras com R134a ainda existem no portfólio de alguns fabricantes de entrada, mas a tendência regulatória internacional aponta para eliminação progressiva dos HFCs de alto GWP, como determina o Protocolo de Kigali, que o Brasil assinou e que prevê redução de 85% no uso de HFCs até 2047.

O que olhar na etiqueta ao comprar uma geladeira

A etiqueta energética do Inmetro informa o tipo de refrigerante usado. Geladeiras com R600a e compressor Inverter combinam os dois fatores de eficiência mais relevantes disponíveis hoje, o gás de baixo GWP e o motor de velocidade variável que ajusta a potência conforme a necessidade do momento. Para uma geladeira de 400 litros operando 24 horas por dia durante 10 anos, a diferença de consumo entre um modelo com R134a e um com R600a e Inverter pode chegar a 30% no total de energia consumida, o equivalente a centenas de reais na conta de luz ao longo da vida útil do aparelho.

willcs.oliveira
Editor — Top Geladeiras